2007-02-15

mais devagar, sff !!!!

"cada cabeça... o seu cpu"

isto é verdadeiramente lapalissiano, mas o que acontece é que há aqueles tipos (e tipas) que parecem um ZX Spectrum a trabalhar, outros que andam ali mais na zona dos Pentiuns III e alguns como autênticos mainframes. cada um depende das suas capacidades e ponto final. o mesmo tipo que efectua três ou quatro tarefas de rajada, não compete com aquele que consegue perder dois dias a enfiar uma linha numa agulha. conquanto todos consigam produzir algo neste equilibrio de forças, parece-me o mais correcto. desde que os objectivos sejam cumpridos - independentemente das competências que os regem, o que interessa mesmo é que se vejam resultados.

hoje fui abordado por alguém, que no mínimo, me pediu algo "novo". vá lá. pelo menos inovação, até mesmo nestas merdas, precisam-se! e a gente gosta! evitamos o banal e somos desafiados por coisas novas.

devo dizer que se há coisa que me mete confusão é ouvir um espanhol a falar. a sensação que dá é que ele parece estar pouco convicto do que diz, e ainda por cima, fazê-lo de forma que nem ele próprio entende o que está a dizer. as frases parecem ter uma letra qualquer no arranque, outra no fim, e uma data de grunhidos inconstantes, vocalizações guturais e descargas de cloaca pelo meio. um pouco como um arrôto verbalizado com espaços, poucas vírgulas e nenhuns "cês" de cedilha pelo meio. e uma pletora de sonorizações codificadas que só eles entendem.

portanto, este sentimento de baralhação, acaba por se estender a quem fala muito... e muito depressa. se houver muito "bruit de fond" a coisa então complica-se exponencialmente.

talvez por isso mesmo, me tenham pedido para "desacelerar as gravações em mp3, relativas aos diálogos exaltados dos participantes em reunões e assembleias públicas", pois, (e cito): falam tão depressa que não dá para entender...

pois... isso e nada como ter um polícia sinaleiro no meio desses "meetings" para dar "prioridade" a quem fala primeiro, e gerir o táfego oralizado como melhor lhe aprouver...

intermezzo

eu sei que estou em (grande falta).

apesar de um rol enorme de trapalhadas cá dentro, tem havido muito pouco tempo para me dedicar a isto como deve ser. espero poder voltar "à carga" com mais assiduidade.

2005-07-20

há cada artolas...

à dias estando perante uma apresentação de um projecto municipal usando as novas tecnologias e onde estavam alguns dos intervenientes no dito projecto, estranhei a presença dum artolas na mesa de discursantes.

há gajos que nasceram para ser bimbos. ele é um deles. o projecto por ele apresentado, mais ainda.

então não é que o tipo nem apresentar um powerpoint sabe? para já porque devia estar a apresentar o projecto só para ele, de tão baixinho estar a murmurar em frente ao microfone; depois fui-me apercebendo que entre o slide que estava à vista de todos e o que ele estava para ali a dizer, havia um "jet-lag" enorme, o que fez com que o discursante seguinte tivesse de saltar não sei quantos slides para a frente até dar com a sua apresentação.

e que dizer de uma proposta que só daquela cabecinha pensadora poderia sair, onde ele apontava uma solução para os problemas de tráfego na nossa terrinha, - que como todos sabem é um "prejuízo" nas horas de ponta - que passava pela emissão de dados via SMS para uma central gestora de tráfego e com avisos via rádio para todos os ouvintes interessados?

já estou a imaginar o fulano a desculpar-se perante as autoridades, que estava a cumprir um serviço público por ter pendurado o trânsito atrás de si, para avisar a central que estava um trânsito danado à sua frente (e um bem pior atrás dele), quando toda a gente sabe que o uso de telelés nos automóveis é proíbido.

mas para quem um dia me perguntou se havia hipótese de naquela hora poder mandar um sms para um gps, via adsl... atão está tudo explicado.

2005-07-11

cultura pimba

ocasionalmente somos bombardeados nas nossas mailboxes, por ordens de serviço e mais outras ordens que ainda ninguém percebeu para que servirão, mas que servem única e exclusivamente para ocupar espaço no servidor de correio.

a propósito destas situações acontecem umas coisa intrigantes:
se o funcionário X transita de "transportador de caixotes de 1ª classe" para "técnico de lavagem de alguidares de 2ª", o pessoal é avisado;
se o funcionário Y transita de "animador cultural de pulgas estagiário" para "condutor de carrinhos de mão de 3ª", o pessoal é igualmente avisado.
se porventura, o Sr. Dr. "tal" transita de chefe de secção para Director de serviço, ninguém é avisado.

de repente faz lembrar as revistas tipo "maria", onde toda a gente se preocupa com a eventualidade de se ter um pénis pequeno mas ninguém quer saber se o déficit se mantém estável ou não.

mas no meio disto tudo o que me deixa piurço, é a forma como estas informações nos são transmitidas...

se é redigido pela colega das mamas grandes, o sript é o mais sucinto e normal possível;
se é redigido pela colega das mamas maiores, mas cujo pescoço acaba onde começa o rabo e tudo à volta é uma barrica... aí... puta que pariu! aquilo vem com o fundo azul mais pimba que a microsoft consegui arranjar, e um lettering só visto nas roulottes das cassetes piratas que estacionam nas feiras por esse mundinho fora...

raios me partam se na próxima não lhe arranjo um "31" após aquela emissão massiva de correio...

para quem só tem martelo...

...tudo o resto é pregos!

ando agora com esta expressão na boca. por tudo e por nada. quer dizer... é preferível que não seja por nada, senão andamos c'umós tolinhos por aí a dizer sempre a mesma coisa sem qualquer contextualização.

mas o facto, é que aplica-se como ginjas quando deparamos com um adepto da fanfarronice.

nesta actividade há-os aos pontapés.

há aqueles que sabem mais do que os outros; aqueles que não sabendo pensam que sabem; aqueles que não sabem mas falam como experts na matéria e há aqueles que mesmo que saibam alguma coisinha é muito dfícil provar por A+B que por vezes estão errados.

hoje, depois de tocar a sirene (leia-se telefone com pedido de urgência de 1º grau) , dirigi-me ao local do incidente para averiguar a situação relatada: o raio do chasso, - leia-se "pc" com mais de 3 anos, - quando se ligava, "ía logo para o setup da BIOS".

coisa estranha, pensei... mas menos estranho seria se por acaso a tecla de acesso estivesse presa com algum clip, unha ou uma resma infindável de papelada e burocracias de merda a que um gajo está mais que embrenhado em usar. mas não. as teclas pareciam estar livres de qualquer intruso.

desliguei o bicho. voltei a ligar, na esperança que a coisa se resolvesse "per si". enquanto o "chasso" ía contar quantos endereços tinha cada placa de memória, o "user" em causa, ufano, tentava a todo o custo provar que nos Mac's estas coisas não aconteciam, que o Windows era uma treta, etc etc... e que estavam ali dois senhores do Porto, há mais de meia hora para ver o que queriam e que o depto. de informática funcionava como o chasso em questão e blá blá blá...

eis que depois do boot lido, o pc arrancou...

"que parecia impossível", "que não sei o quê".... mas que já estava ali há uma eternidade para que a porcaria do computador arrancasse e que até tinha duas testemunhas em como aquilo não abria e mais não sei o quê...

"sim, mas agora sou eu quem tem três testemunhas em como esta porcaria arrancou", repliquei. e só desliguei e voltei a ligar...

como tinha mais do que fazer do que estar para ali a discutir o sexo dos anjos comigo, alapou na poltrona e toca de pôr mãos à obra.

"invalid password???? mas c'a porra é esta?"

eu estava já a tentar passar pela soleira da porta daquele escritório, quando esta indignação me caiu de chôfre. bolas... esqueceu-se da merda da password, e querendo provar alguma razão no meio desta macacada toda, aproveitou o facto do "preto" que trabalha 4 andares mais acima estar por ali, de forma a atribuir-lhe alguma culpa por uma azelhice que não me dizia respeito.

tentou segunda vez. nova interjeição de indignação.

"pára!" respondi!... "à terceira a password bloqueia e se isso acontecer, vou ter de reactivar a mesma lá em cima no estaminé"...

aproximei-me e fui directo ao assunto. aquela luzinha que diz "caps lock" estava acesa.

"vais-me desculpar, pá... eu sei que é chato um sujeito na tua posição hierarquica estar aqui a levar baile com um chasso que não te faz as vontades... mais para mais, com "testemunhas" que vieram de longe para te aturar por perto, mas... tu és daqueles a quem o ditado se aplica: para quem só tem martelo, tudo o resto é pregos!"

com subtileza carreguei na tecla de "caps lock" e pedi que introduzisse a password convenientemente...

2005-06-17

ser-se loira é um posto

recebi agora mesmo um sms's de uma colega a relatar-me o seguinte:

uma colega nossa, conhecida pela sua "loirez" sempre que se lhe acaba a mina do porta minas, em vez de pedir cargas, deita-o fora.

numa época onde se fala cada vez mais de "reciclagem" é um acto digno de um aplauso veemente. porta-minas velho é porta-minas novo.

o chato no meio disto tudo, é que também se fala em contenção de despesas e apertos de cinto. mas como os porta-minas não servem para fazer fivelas, então 'tá tudo bem...

2005-06-11

(i)legalidades

às vezes dá vontade de rir com certas políticas adoptadas pelas grandes empresas distribuidoras de material informático. mas de repente dei por mim a pensar se, por exemplo, no sistema operativo mais usado do planeta o "Windows", - longe de ser um sistema aberto como é o Unix ou a sua vertente mais "doméstica", o Linux, - não estará esta (Microsoft) a precisar de uns puxões de orelhas valentes.

a política dominante é a da partilha de informação. qualquer que seja o ficheiro à solta na net, é partilhável. no entanto, o sistema operativo, bem como todo o software que se instala nos pc's, já não o é.

isto vem à calha, por ter-me lembrado de tudo quanto seja mp3, mpeg, jpg, doc, xls, e mais não sei quantos ficheiros, por vezes estarem protegidos de qualquer forma, (direitos de autor em fotografia, música ou obras literárias, por exemplo) e no entanto poderem ser partilhados, difundidos e alterados a bel-prazer de terceiros, sem que a própria fonte (leia-se Sistema Operativo) faça algo que contrarie essa tendência. basta lembrar que basta um "save picture as", "save target as" ou outro "save as" qualquer está só à distância de um clique...

não me admiraria mesmo nada que o fim dessa "grande potência" que é o binómio Bill Gates - Microsoft, perdesse clientes por essa via.

já imaginaram o que não seria se todos os músicos, escritores e fotógrafos processassem essa empresa por danos patrimoniais? que autoridade tem essa gente para exigir a compra / registo dos produtos que vendem quando se estão a borrifar para os direitos dos outros?

2005-03-28

para acabar (de vez) com a monotonia

recentemente fiquei incumbido de prestar apoio às escolas primárias cá do concelho.

a sua maioria está apetrechada de um PC com ligação à net e é precisamente essa ligação que terei de verificar ao longo das quarenta e tal escolas que fazem parte desse projecto.

apesar de termos já passado 5 anos após o ano 2000, ainda há muita escola perdida por aí, com algumas características muito "interessantes". e que dizer sobre o estado em que o material se encontra? ui! muito...

já vi um pouco de tudo. e ainda não cheguei a metade.

já vi pc's que são "limpos" com o mesmo pano que limpa o quadro ao fim do dia. pc's que na sua origem "eram" pretos e agora empalideceram, um pc montado por baixo de um lavatório, outro junto de um assador (estava "preto", cheirava a sardinha assada por dentro e foi um dia para conseguir avivar as cores à motherboard e ao resto das suas componentes de hardware.) e muitos outros que deviam estar a servir de colónias de bactérias, ou de outra espécie animal qualquer, pois a camada de pó e sujidade que tinham (dentro e fora) dava quase para fazer toalhetes.

mas estes problemas, apesar de tudo, são curriqueiros. um pc em casa, ao fim de dois anos sem ser aberto, estará igual ou pior...

como não sei a localização exacta da maior parte dessas escolas, e porque grande parte delas se encontram em zona rural, e também porque as deslocações carecem de veículo da casa com condutor apropriado (leia-se: nunca sou eu a conduzir), a gestão de frota delegou-me um sujeito, na maior parte dos casos, que é uma autêntica dôr de cabeça (ouvidos e alma) para quem vai ao seu lado ou no banco de trás.

ao contrário do que se possa julgar, não é aquele fulano a quem uma conversa sobre a bola lhe faça extrair alguma reacção. de pc's nem pensar; seria como falar para uma parede. daquelas que nem ouvidos tem. falar de "gajas boas" em último recurso, é tarefa para esquecer. e ele nem sequer é mudo. nem cego.

conduz que é uma maravilha, mas tem o condão de encher a cabeça ao seu "transportado" da forma mais cruel e cansativa que se possa imaginar.

"arados", "lavoura", "batatas", "vinha", "lavoura", "pinhais", "tractores","lavoura", "gado", "lavoura", "batatas", "tractores", "motores", "terrenos", "lavoura", "batatas", "motores" e "tractores" são os vocábulos que mais me martelam na cabeça. nunca esquecendo outros vocábulos tão ricos como peculiares como "lavoura", "batatas", "tractores" e "lavoura".

se falo num "pc" que fui ver, ele troca aquilo por míudos. leia-se "tractores";
se falo em "futebol", é descodificado para "homens a lavrar a terra";
se falo em "gajas boas", ele lembra-se de "vacas" e "gado"...

a conversa só varia, quando ele me diz que usa as lamas da portucel (carregadas de químicos até mais não) para cultivar os seus leirões de alfaces e couves... e ainda por cima, pasme-se, diz que sabem muito bem!

pode dizer-se que a monotonia no trabalho é algo atingível quando este se torna rotineiro. que fazer então? por a cabeça de fora? traulitar uma canção que não seja a "grândola vila morena"?

o pior de tudo, é que chego ao meu local de trabalho sem saber o que fazer, pois nos meus ouvidos continua a soar aquela melodia...

"tractores", "lavoura", "pinheiros", "lavoura"....


ai escolas que nunca mais chegam ao fim...

2005-03-02

big brother is watching you

os alertas de vírus voltaram à "moda".

quer dizer, nunca saíram dela, mas volta volta e meia, lá somos confrontados com o mesmo alerta.

se há casos em que desesperamos com a boa-fé com que as pessoas se sentem atraídas a anuir com determinado assunto mais pungente, outros há quem o nosso desespero é respondido com uma sonora gargalhada atribuindo um motivo extra de gozo ao resto do dia de trabalho.

hoje foi a vez de alguém - a quem pressupostamente a posse de um canudo deveria funcionar como razão para não haver alarme - nos telefonar esbaforidamente, requerendo medidas "drásticas", já que, tinha recebido um mail do FBI a informá-lo que esta instituição estava na posse de documentos comprovando que alguem no mundo estaria a usar a sua (deste alguém) password para passear em sites obscuros e efectuando operações bancárias de grande monta por esse mundo fora...

benza-o Deus...

2004-12-19

ocasiões especiais

invariávelmente a quadra natalícia é o maior produtor de "spam" numa rede interna.
toda a gente envia mails de boas festas e feliz ano novo a toda a gente. todos se sentem na obrigação de agradecer e retribuir. quase sempre, a resposta não se limita a um "obrigado e igualmente". não. torna-se imperioso arranjar um "postal" cheio de sininhos e muita côr, (quando não se trata de uma animação em flash ou de um qualquer ficheiro executável sacado da net), como que a querer-se provar que o meu cartão é melhor do que o que acabei de receber.

depois é o que se sabe. um manda a quinhetos. os quinhentos agradecem ao um e de seguida todos os outros desatam a enviar qualquer coisa a todos os outros. é um efeito tipo bola de neve que normalmente só passa passados uns dois ou três dias, tal é a quantidade de informação alojada algures no ciberespaço em lista de espera para ser expedida. se o fôr.

escusado será dizer que durante esse período é impossivel haver mail importante em trânsito. nem que seja um mailzinho com as anedotas do costume. é mentira. durante dois-três dias a casa pára para se enviarem mails de boas festas. o cataclisma assume autênticas proporções exponenciais. todos disfrutam de uma paz de espírito tal que os leva a assumir por uma vez, o funcionário celestial que está escondido durante o resto do ano. todos passam a gajos porreiros naquele dia. maus são os gajos da informática que a braços com o problema, normalmente não andam com boa cara.

mas enfim, nem tudo podem ser rosas, não é?

2004-10-31

serviço de urgências

é fatal como o destino.
qualquer computador que deu o berro por qualquer motivo, é acompanhado por uma assistencia técnica com cariz de urgente.
é raro o dia lá no estaminé em que não haja um ou dois bichos para reparar. não menos raros são aqueles que nos obrigam a uma "limpeza geral" algumas vezes com poucas hipóteses de recuperação de dados. e ao referir-me a reparações, não me refiro a pequenos ajustes que se fazem à mesa do utilizador. refiro-me àqueles que obrigam a trazer o mono à mesa de operações.

o "engraçado" nisto tudo é a "etiqueta" que vem "agarrada" ao bicho.
"é urgente! não te esqueças que preciso dele ainda hoje. vê lá se está pronto daqui a duas horas...".

deixa-me rir!

um serviço de urgência demora no mínimo, um dia. ás vezes dois ou três. aquela malta esquece-se que os computadores não se arranjam por telepatia, osmose ou pelo simples "toque de midas". nem fazem a mais pequena ideia da trabalheira que dá por vezes diagnosticar a fonte do problema, quanto mais a trabalheira que dá recuperar dados (e algumas vezes são gigabytes deles), formatar a máquina e repôr todo o software que tinha à data de entrega.

mais castiço se torna, quando os seus fiéis depositários ficam de plantão à espera que lhes entreguemos o material, como que estando de guarda à máquina ou ao nosso desempenho. outras vezes, porque o problema é originado por incursões em "sites marados", colocam-se ali, prontos a justificar que não foram eles que puseram aquilo ali, mesmo sem ninguem lhes perguntar nada. e mais interessante é a tenacidade com que resistem a um "este disco morreu", quase que nos querendo contrariar quanto a esse facto.

um dia destes, depois de um diagnóstico tão "fatídico" como este, quase nos bateu quando lhe dissemos que sem backups, não havia nada a fazer. "toda a informação foi à vida...". quase nos forçou a recuperar os dados, nem que fosse apontando uma arma ao HDD, como método de persuasão.

o chato nisto tudo, além da perda de documentos, - muitos deles de importância extrema -, é o efeito de "bola de neve" que vem a seguir. o funcionário reporta o facto ao chefe e este telefona-nos imediatamente a pedir justificações. que muitas vezes nem ele próprio compreende. depois do chefe, o director e por aí sucessivamente até (em alguns casos) chegar à presidência. é caso para, por cada caso, gravar uma mensagem e passá-la quando o telefone toca.

sim, porque, em 10 telefonemas que recebamos a seguir, 5 ou 6 são seguramente relacionados com este assunto.

2004-10-24

indicações comportamentais

uma das coisas que me leva a avaliar o grau de determinada anomalia num PC é o estado de preocupação com que o pessoal me interpela. há-os de todos os tipos. os esbaforidos, que se atrapalham com tudo e mais alguma coisa mas cujos problemas se resolvem com um simples liga-desliga. é o caso das impressoras "offline". o simples facto de "não se saber" o que fazer, é caso para um alarido histérico diário. pior portanto, se se tratar de alguem cuja "queixa" é diária e cuja "solução" quase obriga a uma gravação de uma mensagem falada pronta a resolver o problema. desligar, praguejar ou simplesmente gozar com a situação é de todo, políticamente incorrecta.

noutras situações, a comédia e a boa-disposição, como forma de disfarçar uma anomalia, pode servir como purga de um mal, ou justificar um erro pueril.
ainda na semana passada uma colega pediu-me para lhe instalar uma "impressora de rede". tudo normal. uma impressora não conectada a um posto "com nome de gente" é razão mais que suficiente para se justificar esse impedimento. mas depois de efectuada a instalação, começou de forma quase espontânea aquele risinho estúpido de quem tem qualquer coisa para contar, mas não sabe como começar.

"vê aqui o que se passa quando acedo à net... começam a aparecer muitas janelas e quanto mais as fecho, mais se abrem..."

"boa", -pensei, "mais um fogo-de-artifício de pop-ups... andaste a navegar num site marado, e instalaste qualquer coisa sem querer..."
"não... eu não instalei nada. vocês não me deixam instalar coisa nenhuma..."
"ainda bem! se já é assim e não vos deixamos instalar coisa nenhuma, imagina se deixássemos!"

indo ao "control pannel", verifiquei que estava lá um daqueles programitas que se auto-instalam, com um nome um pouco estranho para aplicação "reconhecida" e removi-o.

"conta lá... para que raio queres tu ver o tempo que vai fazer nos EEUU?" Isto não te "perguntou" nada?"
"sim... apareciam algumas janelas por aí. mas como o meu inglês é fraco, apenas percebia os "yes" e "no" nas janelas... e eu cliquei nos "yes" todos que me apareceram..."
"outra... esta diz que sim a tudo... bom sinal se o tipo de abordagem for outro, mas neste caso o problema é terrível..."

acho que ainda lhe perguntei se ela era daquelas que não sabiam dizer que não... e vim-me embora.
as políticas de confiança estão mais arreigadas com os estranhos do que com a "prata da casa", decididamente...

mas a distinta lata de quem se ri a explanar um problema é que me vai minando a alma, de dia para dia...

2004-10-19

para quê complicar?

durante uns tempos, nestes últimos dois meses, tivemos lá no edifício uma mocinha a estagiar.
ela tinha umas particularidades dignas para estudo. de psicologia.
ela não era bem tã-tã... mas tambem não o deixava de ser. por vezes dava a impressão que aquele cerebrozinho efectuava um FATAL ERROR tal, que só formatando duas vezes seguidas voltaria a 10% do original, mas isto era só um pormenor. entre muitos.

um dia, estava eu dirigindo-me para o estaminé, depois de uma chamada "S.O.S." e notei que ela vinha em sentido contrário lá ao fundo no corredor. nada de especial. é uma situação perfeitamente banal, pensarão. claro que sim. é banal. afinal quantas vezes nos cruzamos com alguém nos nossos trabalhos. o que é normal, é que pressupostamente quando duas pessoas caminham em sentidos opostos, mais tarde ou mais cedo se tenham que cruzar. naquele caso ela trabalhava numa sala, no início do corredor, por onde eu já tinha passado, e eu, sensívelmente a meio, por onde ela já deveria ter chegado. digo "deveria" pois, quando estou a chegar à minha sala, noto que a mocinha estava parada, como que petrificada, na minha frente, olhos no infinito, completamente imóvel. feita estátua.

"prontos!... desligou", pensei. e de facto tinha desligado. o interruptor saltou do "on" para "off" em questão de milisegundos. e ali continuava ela olhando para o cú de judas e eu atrapalhado sem saber o que fazer.

um colega disse-me que seria normal. ela mergulhava em transes profundos e acordava quando queria. e eu queria que ela acordasse, pois já estava a ficar atrapalhado. e atrapalhado ficava eu se lhe tocasse, pois nunca se sabe o que um "ZX-Spectrum" daqueles poderia originar. quem "não fecha bem a porta" é mesmo assim, e qualquer tentativa de "reanimação" podia ser considerada assédio, por isso deixei-me ficar quietinho e ir à minha vida... minutos depois, saí do meu escritório e ela já tinha desandado. como, não sei. nem interessa. ainda bem.

isto tudo para explicar uma "partida" que um dia lhe decidi pregar.
estando eu à conversa com os desgraçados dos colegas dela de divisão, decidi ser "mauzinho" e trocar-lhe os botões do rato. podia pura e simplesmente desligá-lo, virar-lhe o monitor ao contrário, qualquer coisa do género, mas não. como ela poderia estar por aí a chegar, o mais rápido que consegui, foi atacar o "control pannel" e nas opções do rato, transformá-lo em "rato para canhotos". isto tudo, na presença dos pândegos dos colegas dela. e saí.

minutos volvidos, desato a espalhar a notícia que tinhamos sido atacados por um vírus terrível, que tinha a capacidade de alterar as configurações dos ratos...
fiz de conta que perguntava a toda a gente, tentando disfarçar o máximo que pudesse, e como toda a gente dizia que estava tudo "ok"... perguntei-lhe amávelmente se o rato dela estava a funcionar como pressupostamente deveria funcionar.

"errrr... está... isto "pica"... mas só "pica" com a mão esquerda... com a direita não dá, mas não tem problema... tambem consigo trabalhar assim..."

correu mal. muito mal...
às vezes fico com a sensação que mais vale estar quieto...

falhas gerais

hoje foi uma tarde particularmente chata.
ou muito boa, consoante o ponto de vista.

aliado ao mau tempo que se faz sentir, tivemos de gramar durante a tarde com várias alternâncias entre os estados de "há luz" e "foi-se a luz". uma coisa parva, atendendo aos picos de corrente que se fizeram sentir e às "avarias" que um piquete da EDP andou a fazer numa central electrica ali perto.

foi uma tarde de "liga-desliga", as UPS's não paravam de apitar, os PC's num frenezim danado, pessoal a precisar de atender os munícipes e estes a verem a vidinha a andar para trás, pois pura e simplesmente não havia luz.

ainda tentámos "matar tempo" jogando à batalha naval e outras coisas que se podem fazer quando há um apagão, mas qual quê? às escuras nem pachôrra havia para gritar "tiro no porta-aviões".

foram quase 4 horas de vem e vai... telefones a tocar porque o PC de fulano, assim que se desligou nunca mais foi o mesmo, ou porque o rato já não "rateava", etc, etc...

o melhor disto tudo, foi aquela colega a telefonar-me meio atrapalhada, gritando :"JURO QUE DESTA VEZ NÃO CLIQUEI EM LADO NENHUM!!"

2004-10-16

bugs, mensagens estranhas e outros quejandos...

estava eu descansadinho a tentar fazer algo de útil, o que só pode ser compreensível como se tratando de colocar o mail em dia, consultar listas de reparações e averiguar da existencia de problemas pendentes na bancada, quando toca o telefone.

do outro lado, uma colega esbaforida porque não conseguia trabalhar. devo referir que desde há uns anos a esta parte (desde que a rede está toda operacional e há internet para todos), o conceito de "não se conseguir trabalhar" está normalmente associado ao facto de ou não se ter o correio electrónico a funcionar ou pura e simplesmente, não se ter acesso à www.

dizia eu, que tinha atendido esse telefonema dessa colega, cuja voz meio entaramelada me fazia supor algo de mais grave, onde ela referia que "está aqui uma mensagem de erro para chamar o administrador" e logo me prontifiquei a dirigir-me ao local para lhe resolver o problema.

aha! o "problema" encontrava-se definido num daqueles dois... o outlook não estava a funcionar convenientemente, tinha um pop-up constantemente a aparecer, por mais que se desligasse, enfim...
à conversa com a colega, questionei-a se teria recebido um mail mais "marado" e movida pela curiosidade ou outra razão qualquer, o tivesse aberto. não... não era esse o problema, até porque este mail tinha sido enviado por outra colega que trabalhava mesmo em frente, para esta e para mais meia dúzia e que o problema só estava aqui localizado.

(abro um parêntesis, para apontar o rídículo ao que chegámos... pessoas que trabalham dentro da mesma sala, não conversam. enviam mails...)

"então... mas se mais ninguem se queixa, porque é que lhe surge este embróglio? não clicou em lado nenhum "sem querer"?"

"sim... aqui diz "click here" e eu cliquei..."

ou seja... um mail enviado por alguem que teria o incredimail instalado, e onde no rodapé aparece um banner publicitário do mesmo, e aqui vai disto! nada como fazermos as vontades do que nos entra no correio electrónico... mesmo que se trate de publicidade ou outra coisa qualquer que não tenha a ver com a mensagem enviada própriamente dita...

- colega... - perguntei eu - se por acaso aqui dissesse para bater com a cabeça na parede três vezes seguidas e com toda a força que pudesse, a colega tambem obedecia?

desinstalei-lhe o incredimail e saí da sala...
há obediencias que me deixam fulo. as pessoas "confiam" mais depressa num banner publicitário qualquer, do que muitas vezes na boa vontade de outros colegas ou pessoas para atender.
fiquei fulo da vida. e tive nesse momento a percepção que problemas destes são autenticas catástrofes no "bem estar" de todo um sistema informático de uma empresa.

antigamente, só de pensar que iriam trabalhar com um PC ficavam em pele de galinha. hoje até já os "tratam por tu" e confiam cegamente em tudo o que lhes aparece na frente...